A história da Centra Tech prova que, no mercado financeiro, a “aparência de sucesso” vale mais que o sucesso real. Aprenda a não cair no golpe da Prova Social.

Você confia no que lê no LinkedIn? Se a resposta for “sim”, o documentário Bitconned (na Netflix Brasil como “Criptofraude”) é um alerta de emergência para a sua carteira.
A obra narra a ascensão meteórica e a queda vergonhosa da Centra Tech, uma empresa fundada por Ray Trapani e Sohrab Sharma. A promessa era revolucionária para a época (2017): um cartão de débito que permitia gastar criptomoedas em qualquer lugar do mundo.
O problema? Eles não tinham a tecnologia. Eles não tinham parcerias bancárias. Eles não tinham nada. Ainda assim, levantaram mais de 30 milhões de dólares em semanas. Como?
1. O CEO que Nunca Existiu (A Falácia da Autoridade)
Os fundadores sabiam que tinham “cara de golpistas”. Então, o que fizeram? Entraram no Google Imagens, pegaram a foto de um senhor com cara de respeitável (um professor canadense que nem sabia de nada) e criaram um perfil falso no LinkedIn chamado “Michael Edwards”, com um currículo invejável em Harvard e grandes bancos.
A Lição: Investidores preguiçosos olham o LinkedIn e assumem que é verdade. Ninguém ligou para Harvard para checar. Regra de Ouro: Em cripto e startups, anonimato ou perfis sem rastro digital verificável são red flags imediatas.
2. O Endosso Comprado (A Ilusão da Fama)
Para dar credibilidade ao golpe, eles contrataram o boxeador Floyd Mayweather e o DJ Khaled. Com um post no Instagram segurando o cartão falso, milhões de seguidores pensaram: “Se o Mayweather está usando, deve ser seguro”.
A Lição: Influenciadores não são analistas financeiros. Eles são outdoors humanos. Eles foram pagos (e muito bem) para segurar aquele cartão. A opinião deles sobre o investimento vale zero.
3. O Produto de Isopor (A Tática do Fake it till you make it)
Em uma cena clássica, para fechar um acordo com uma exchange, os fundadores precisavam mostrar o cartão funcionando. Eles foram a uma loja, e o fundador usou seu cartão de crédito pessoal, mas com a mão cobrindo o chip, enquanto segurava o cartão da Centra Tech por cima. Fizeram um vídeo caseiro disso e enviaram. O mercado acreditou.
A Lição: Vídeos na internet podem ser facilmente manipulados. Se você não pode testar a tecnologia ou ver o código (em caso de blockchain), o vídeo de demonstração é apenas marketing, não prova.
Conclusão: A Culpa é da Vítima?
O documentário é polêmico porque Ray Trapani (o golpista) narra a história com um sorriso no rosto, quase debochando das vítimas. É revoltante, mas educativo. Ele diz com todas as letras: “Era muito fácil pegar o dinheiro deles. Eles queriam acreditar.”
O golpe só funciona porque existe a ganância do outro lado. O desejo de enriquecer rápido desliga o senso crítico. Ao assistir Bitconned, lembre-se: Se parece bom demais, e se a única prova é um perfil bonito na internet… corra.
Fonte: Internet/Exponencial/IA
